13/01/2020

Conheça as três comunidades ameaçadas de despejo pelo governo Ratinho Júnior

Mãe e filha orgulhosas da produção, no Acampamento Resistência Camponesa.
Crédito: Diangela Menegazzi


Moradias simples, igrejas, campos de futebol, pequenos armazéns, açudes, crianças brincando livremente, poucas cercas e muita produção de alimentos. Estas são algumas características em comum entre os acampamentos Resistência Camponesa, Dorcelina Folador e 1º de Agosto, localizados em Cascavel, no Oeste do Paraná.

Mas, após cerca de 20 anos de trabalho e desenvolvimento, as 212 famílias que vivem nas comunidades estão sob o risco iminente de despejos.

A ordem de reintegração de posse chegou no dia 15 de dezembro e trouxe angústia ao período de festas de Natal e Ano Novo dos agricultores e agricultoras, que integram o MST. As áreas fazem parte do complexo de fazendas Cajati. Vivem nas terras cerca de 800 pessoas, sendo 250 crianças e 80 idosos.

Para denunciar a ameaça de destruição dos acampamentos, as famílias iniciaram uma mobilização permanente no dia 28 de dezembro, às margens da Rodovia BR 277, na altura do km 557. A ação ocorre todos os dias, das 10h às 15h e leva o nome de Vigília da Resistência Camponesa: por Terra, Vida e Dignidade.

Ao longo de 2019, primeiro ano de Ratinho Junior (PSD) à frente do governo do Paraná, nove comunidades rurais foram destruídas e cerca de 500 famílias desalojadas.

Conheça um pouco mais sobre as três comunidades de Cascavel:

Resistência Camponesa


Família de agricultores do Acampamento Resistência Camponesa. (Foto: Diangela Menegazzi)

A área de 446 hectares foi ocupada em maio de 1999, e hoje conta com moradias, salão de festa, igrejas católica e evangélica, campo de futebol, além de diversas outras pequenas estruturas que abriga a criação de animais.

A comunidade é composta por 52 famílias, incluindo 50 crianças e adolescentes que estudam em escolas do campo localizadas no assentamento Valmir Mota.

Igreja de comunidade evangélica, no acampamento Resistência Camponesa. (Foto: Ednubia Ghisi)

Na produção, destaca-se o cultivo de mandioca, batata, frutas, hortaliças, milho, feijão, abóbora e arroz, com prioridade na produção de alimentação. O excedente é comercializado em feiras ou por outros meios para geração de renda. Cerca de 20 famílias da comunidade estão em processo de certificação de produção orgânica e fazem parte da Rede Ecovida.


Campo de futebol: lazer está presente no Acampamento Resistência Camponesa. (Foto: Diangela Menegazzi)

Dorcelina Folador

Crianças e idosos vivem no Acampamento Dorcelina Folador (Foto: Ednubia Ghisi)

Localizada mais próximo ao Distrito de Rio do Salto, a área foi ocupada em agosto de 1999 e é composta por 52 famílias. Os camponeses e camponesas construíram casas, possuem energia elétrica, água encanada, campo de futebol e outros espaços de lazer, igrejas e espaços comunitários de festas e confraternização.

Famílias do Acampamento Dorcelina Folador trabalham com cultivo de peixes. (Foto: Ednubia Ghisi)

Na agricultura, produzem diversas culturas para o autossustento, destacando-se as frutíferas e hortaliças. Há ainda espaço para produção de milho e soja, geralmente, cultivados com a finalidade de geração de renda para adquirir alimentos e utensílios, que ainda não são produzidos na comunidade.
Igreja da comunidade religiosa, no Acampamento Dorcelina Folador (Foto: Ednubia Ghisi)

As cerca de 80 crianças e adolescentes que vivem na comunidade estudam no distrito de Rio Salto.

1º de Agosto

Acesso ao Acampamento 1º de Agosto (Foto: Ednubia Ghisi)

As comunidades 1º de Agosto e Dorcelina Folador fazem parte do mesmo imóvel rural. Somando a faixa de preservação permanente, a área tem cerca de 5 mil hectares e conta com 110 famílias. A comunidade foi formada no início em agosto de 2004 e localiza-se entre as outras duas comunidades.

O agricultor e sua ferramenta de trabalho. Acampamento 1º de Agosto (Foto: Ednubia Ghisi)

As crianças e adolescentes do acampamento frequentam as escolas do campo localizadas no assentamento Valmir Mota. As famílias vivem em comunidade com moradias próximas, água, energia elétrica e com estruturas mais precárias, mas não menos organizadas que os outros dois acampamentos.

Igreja da comunidade, no Acampamento 1º de Agosto (Foto: Ednubia Ghisi)

A área de produção é dividida em parte iguais entre as famílias, com destaque para a pastagem coletiva, que fica próxima do acampamento, além da área de agricultura, com aproximadamente 350 hectares, em que se destaca o milho, soja e mandioca. Nas proximidades das moradias, as famílias cultivam hortaliças e outras culturas destinadas à alimentação, como frutíferas, porcos, galinhas e bovinos.

Autor: Setor de Comunicação e Cultura do MST-PR


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