09/07/2019

Servidores ocupam Alep e deputados defendem pagamento da data-base

Foto: Ana Beatriz Pazos

As galerias da Assembleia Legislativa do Paraná foram ocupadas por servidores estaduais em greve que exigem 4,94% de reposição da inflação. Hoje (9) aconteceu o II Ato Unificado que levou 30 mil pessoas às ruas, segundo os organizadores. Eles aguardavam uma nova proposta do governo estadual. Pela manhã, representantes do FES e entidades ligadas à segurança pública se reuniram com membros da Secretaria da Fazenda. Os governistas apresentaram os números orçamentários e uma proposta de 2% de reajuste em janeiro de 2020. Os sindicalistas solicitam que esse percentual seja antecipado para deliberar sobre o montante.

Na reunião com o governo, os representantes do FES disseram que há condições econômicas e fiscais para que isso ocorra. “Os estudos feitos pelo FES e que foram amplamente debatidos com o governo demonstram as condições para o reajuste integral da inflação ainda no exercício de 2019. A posição da SEFA contamina o governo e impede o avanço para percentuais de recomposição salariais mais dignos”, defende o documento entregue a deputados antes da sessão plenária.

O deputado Professor Lemos (PT) disse que mais de 100 ônibus vieram do interior do estado. Ele ressaltou que a greve cresce cada vez mais com adesões de todos os lugares. Lemos disse que o governo do estado tem reajustado tarifas da Sanepar e da Copel todo ano enquanto congela salários dos trabalhadores, empobrecendo-os.

Lemos, que é líder do PT na Assembleia Legislativa e integra a Bancada do Serviço Público, comentou o valor de 2% que está sendo discutido nesse momento. Ele propõe a criação de uma comissão especial para trabalhar durante o recesso da Assembleia Legislativa. Essa comissão deverá acompanhar os servidores para fazer o debate com o governo do estado e negociar o reajuste. “Que seja uma comissão pluripartidária e acompanhe os servidores durante o recesso parlamentar”, sugere. O recesso dos deputados começa em 17 de julho e o retorno aos trabalhos só ocorre em 1 de agosto.

Também do lado dos grevistas, o deputado Arilson Chioratto (PT) questionou os números apresentados pela Secretaria de Fazenda. Para ele, os números são mentirosos e o governo do Paraná faz lobby em defesa dos empresários. “Eu chequei o relatório e não bate com a arrecadação. Existes condições financeiras. Basta vontade política. Não dá para trabalhar com esses números mentirosos”, questiona.

Chioratto comparou as isenções fiscais promovidas por Ratinho Júnior. Neste ano, a previsão é deixar de arrecadar mais de R$ 10 bilhões. “Os servidores estão cedendo há quatro anos. O outro lado precisa ceder”, cobrou.

A deputada Luciana Rafagnin destacou o estudo apresentado pelo economista Cid Cordeiro durante reunião nesta manhã. “Os números comprovam que o governo tem condições de pagar a data-base aos servidores. A data-base é lei, está na Constituição”, argumentou Luciana, que ainda chamou a atenção para a necessidade de valorização do serviço e do atendimento público à população. “O governo precisa valorizar os servidores e servidoras. Sem o trabalho do funcionalismo, o estado não acontece”.

Os discursos em defesa dos servidores públicos não foram unânimes. O deputado Ricardo Arruda (PSL), do bloco governista, atacou a APP Sindicato e os servidores. Ele apresentou números com relação ao reajuste de tarifas e disse que os servidores públicos tiveram reajuste financeiros nos últimos anos promovidos pelo plano de carreira. Os números têm como base dados apresentados pelo governo estadual recentemente. Neles, o governo diz que o salário médio do funcionalismo cresce até 33,9% em três anos. Arruda ainda falou que o salário dos servidores estaduais está “35% do que é pago pelo mercado e que o governo não vai sacrificar a população”.

Em seguida ao deputado do partido do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o deputado Tadeu Veneri (PT) optou por valorizar os trabalhadores e rebater o colega. “Os servidores são o maior patrimônio do estado. Quem não entende isso é porque nunca entrou numa UPA e foi atendido com qualidade, não sabe que numa escola, muitas vezes, têm que conviver com o tráfico, não sabe o que é um policial militar ter que empurrar um carro com falta de gasolina ou trabalhando com colete a prova de balas vencido”, criticou.

Veneri também criticou o secretário de Educação e o governador Ratinho Júnior. “O senhor Renato Feder deve ser exonerado. Não é possível que ele fique provocando os servidores, que diga que vai demitir os PSS. Ele deve retirar frase dizendo que vai dar aula sem condições. Ele não pode desmoralizar os professores”, condena.

O líder do governo Hussein Bakri (PSD) destacou que há pelo menos 60 dias ele debate a pauta dos servidores públicos diariamente com a oposição e com os sindicatos. Hussein disse que os deputados buscam um consenso com relação à data-base, inclusive trabalhando para que o governo não descontasse dias parados. O deputado citou ainda a retirada do regime de urgência do projeto a pedido dos sindicalistas.

Por outro lado, Hussein admite que há uma discordância de números. “Estamos tentando aproximar as propostas. O governo entende que pode pagar em janeiro. O FES diz que é possível pagar antes. Mas nós avançamos da proposta inicial. É preciso que se diga”, adicionou.

Ocupação

A fala do deputado Ricardo Arruda (PSL) deu início a um princípio de confusão. Com as galerias lotadas, a provocação do deputado fez com que as pessoas o vaiassem e que a multidão fora da Assembleia tentasse entrar no prédio. A rampa de acesso às galerias foi ocupadas. Não houve registro de acidente.

Por outro lado, de acordo com a coordenadora do FES, Marlei Fernandes, os servidores devem permanecer nas galerias até que o governo oficialize uma proposta. “Sem a data-base, da Alep ninguém sai”, gritam os grevistas.

 



Autor: Do Porém.net


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